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A Fotografia Como Arte Contemporânea

Conceitos fundamentais e referências da fotografia contemporânea brasileira, para ilustrar e aguçar maior compreensão do assunto

Olá! Tudo bem? Através deste canal, tenho como propósito compartilhar assuntos diversos ligados à contemporaneidade. E foi pensando nisso, que quando conheci a Patty Simon (fotógrafa incrível que referencio no post), não tive dúvidas do quanto seria interessante apresentar seu trabalho de fotografia autoral, aqui na Brasil Society. Ao mesmo tempo que julguei pertinente explorar o tema “a fotografia como arte contemporânea” (embasando-me num livro que indico ao final do artigo), para aguçar os meus e os seus sentidos, no momento de apreciar essa arte cheia de luz e movimento.

No final das contas, decidi dividir todo esse conteúdo em 2 posts: o primeiro é esse que você lê agora; depois vou te conduzir para outro, exclusivamente dedicado ao trabalho da Patty Simon. Lá, você poderá apreciar um conteúdo ilustrado pela série de fotografias intitulada “Mutações Intimistas”.

Vale ressaltar que tudo o que apresento aqui é resultado de pesquisas, portanto, se você é estudioso ou bom entendedor do assunto, todo comentário no sentido de enriquecer ou até mesmo de melhorar as abordagens aqui apresentadas, será muito bem-vindo!

Enfim, uma introdução do tema proposto

Neste post, conforme comentei, vamos entender aspectos da fotografia percebida como arte contemporânea. E isso se dará a partir de conceitos introdutórios, que respondem às seguintes questões: “o que é fotografia contemporânea?”, “o que é fotografia autoral?” e “o que é fotografia experimental?”.

Por fim, separei aqui alguns exemplos de fotografia contemporânea, como um convite para contemplarmos essa arte através de um novo olhar. Que ela possa provocar sentimentos e sensações antes não experimentados; que ela possa incentivar questionamentos e pensamentos antes não manifestados – propósitos fundamentais da arte contemporânea.

Para começar, vamos entender o que é fotografia contemporânea?

Ao pesquisar sobre o assunto, pude conceber o conceito de fotografia contemporânea de forma bastante simples. Por outro lado, percebi também que, enquanto arte, ela se expande por uma ampla e complexa dimensão.

De acordo com estudiosos, a fotografia contemporânea é aquela que resulta de uma forma diferente ou inovadora de se fazer fotografia, frente à tradicional – simples assim. A complexidade está no processo produtivo e até mesmo experimental que exemplifico logo abaixo, ponto de ampliação de todo esse conceito relacionado diretamente à fotografia autoral – e é aqui que ela passa a ser concebida como arte:

  • Preparo do cenário de forma a transmitir algum propósito ou facilitar alguma expressão;
  • Uso de novas tecnologias (máquina, lentes);
  • Processo criativo inovador (da captação à reprodução da imagem);
  • Utilização de luz, sombra, refração, movimento etc.;
  • Sem contar com as referências biográficas, históricas, sociológicas, antropológicas, culturais e filosóficas; entre tantas questões que influenciam ou, até mesmo, que estão nitidamente impressas na obra de cada autor.

Em qualquer dos exemplos acima, são tangíveis a liberdade e a ousadia inerentes a todo trabalho artístico. Falo da liberdade que permite ao autor da obra se apropriar do experimento. E dentro desse processo, vivenciar estudos em meio a uma ciranda de erros e acertos que o conduzem, premeditadamente ou acidentalmente, ao resultado que manifesta, de forma concreta, aquilo que se previa ou desejava expressar.

O veículo dessa expressão é a fotografia, no entanto, a linguagem utilizada e refletida através dela é ímpar e inerente ao trabalho de cada fotógrafo. Sendo assim, podemos juntos concluir que, entre os aspectos fundamentais da fotografia tida como arte contemporânea estão: o experimento e o trabalho autoral. Agora sigamos adiante para filosofarmos um pouco mais…

Mas o que é fotografia autoral?

A fotografia autoral se caracteriza, fundamentalmente, na expressão que nos leva a perceber o traço ou tom único do fotógrafo, em seus trabalhos – resultado, portanto, dos experimentos que realizou e que houve manifestados na fotografia.

E o que é fotografia experimental?

A fotografia experimental é aquela comprometida com o método e o resultado, a partir de um propósito muito implícito de romper com as barreiras do tradicional para se alcançar o inusitado.

É notório que ela seja um dos grandes alicerces da fotografia tida como arte contemporânea, já que sem o experimento a arte não acontece. Entretanto, se refletirmos um pouco mais, podemos concluir o seguinte: a fotografia tida como arte contemporânea pode nascer da fotografia experimental, entretanto, ganha a conotação de arte a partir do toque especial do fotógrafo, expresso na linguagem única e autoral manifestada a partir de seus trabalhos.

Vamos apreciar agora algumas manifestações da fotografia como arte contemporânea? A seguir, apresento 3 trabalhos autorais para ilustrar toda a abordagem trazida até aqui:

1. PATTY SIMON:

Vou começar pela Patty Simon, já que foi ela quem inspirou o nascimento deste post. As fotografias que apresento são parte da série “Mutações Intimistas”. Nessa série, através de uma brincadeira que envolve luz, sombra, reflexos e movimento, Patty Simon nos convida a “enxergarmos além das aparências, através do aguçar dos nossos sentidos”. O resultado são imagens com certo tom abstrato e bastante intrigantes ao nosso olhar.

A fotógrafa retrata ambientes externos, naturais e até mesmo comuns, entretanto, a reprodução de alguns efeitos especiais nos faz enxergá-los por novas perspectivas. Essa série é muito inspirada no trabalho do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe. Estudioso da ciência das cores, Goethe dizia que: “mesmo órgãos naturais como o olho requerem imaginação para ver”.  Você pode se aprofundar mais sobre o trabalho de Patty Simon, pela visão do curador Eder Chiodetto.

2. OLGA RODRIGUES:

Essas fotografias incríveis, que você vê mais abaixo, refletem muito bem a ideia do “fazer diferente”, condição fundamental da fotografia contemporânea. A fotógrafa Olga Rodrigues é especialista no estilo newborn de fotografia, mas nesse projeto superou as próprias expectativas, transcendendo ao tradicional. Segundo entrevista concedida ao portal Photos.com, o projeto nasceu do desejo de retratar o comportamento do bebê, ainda em vida intrauterina.

Os estudos iniciaram-se entre análises de fotografia de ultrassom 3D e 4D. À medida que evoluíam, Olga imaginava como seria reproduzir esse ambiente intrauterino, agora, isento de elementos que pudessem confundir a visão, como o líquido amniótico.  

O resultado do trabalho culminou na série de fotografias autorais intitulada “De Volta Ao Útero”, trabalho que teve repercussão além da esperada, entre o público das redes sociais. Uma obra bastante inusitada e, até mesmo, emocionante!

3. PEDRO DAVID:

O fotógrafo Pedro Davi, através da série apresentada como “Madeira de Lei”, protesta e nos instiga a reflexões acerca do mundo moderno. Um momento em que política e economia são exercidas, protegidas por leis que sancionam devastações da natureza e que, por sua vez, ameaçam espécies nativas de extinção.

As fotografias da série retratam árvores originárias do cerrado, rodeadas e sufocadas pelas plantações de eucalipto, que sustentam o mercado madeireiro no Brasil. Em sua página, o fotógrafo traz abordagens muito interessantes sobre essa problemática do cerrado. Aproveito para compartilhar um trecho importante:

“O eucalipto cobra um alto preço para realizar seu milagre desenvolvimentista: esgota a água e os nutrientes do solo, seca nascentes próximas e espanta totalmente a fauna, que não suporta seu odor”. (Pedro David, fotógrafo autoral e autor da série “Madeira de Lei”).

Chocante!

Através das ilustrações acima, pudemos apreciar 3 propósitos diferentes, realizados através da fotografia. Dessa forma, conseguimos compreender a importância dessa arte, como linguagem capaz de transformar seres humanos. Mas mais do que isso, provocar mudanças de perspectiva, ampliar a nossa visão de mundo e nos instigar à ação!

Amei estudar sobre esse tema. Encerro o post ainda mais encantada pela fotografia. E se a sua leitura chegou até aqui, então, acredito que você também tenha gostado do conteúdo. Espero que ele tenha clareado suas ideias em torno do tema proposto. E antes que eu me esqueça, deixo aqui a referência do livro que inspirou a definição desse tema: A Fotografia Como Arte Contemporânea, de Charlotte Cotton.

Obrigada por seguir a Brasil Society. Te vejo no próximo post!

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São Paulo, 14 de dezembro de 2018

© Brasil Society por Ale Lima 2019

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